Partilha Nossa Página no Facebook Homens que mataram chineses são julgados em Luanda ~ Canal 82 | Agência de Notícias

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Homens que mataram chineses são julgados em Luanda



O Tribunal Provincial de Luanda começou a julgar ontem os 14 presumíveis autores de um dos homicídios mais chocantes ocorridos em Janeiro de 2016 em Luanda, tendo como vítimas quatro cidadãos chineses.


Dos 14 acusados do crime, oito estão detidos, cinco soltos e um foragido. Depois de ter sido feita a leitura da acusação pelo Ministério Público, a juíza mandou retirar 12 dos 13 réus presentes, ficando apenas Severino Catchinjonjo, fuzileiro da Marinha de Guerra Angolana, o primeiro a ser ouvido.       


Os cidadãos chineses foram assassinados depois de terem sido atraídos para o bairro Zona Verde, na comuna do Benfica, pelo réu Nataniel Ângelo Gaspar Rodrigues Mingas, com quem negociavam a compra de um terreno, para cuja aquisição já tinham desembolsado, como adiantamento, 30 por cento do valor combinado de 120 milhões de kwanzas.

O processo de venda do terreno, pertencente ao pai do réu, começou quando Nataniel Ângelo Gaspar Rodrigues Mingas entrou em contacto com os intermediários Fernando Alberto da Silva e Sandra de Almeida, dupla que mais tarde virou quarteto com a entrada dos intermediários Augusto Figueiredo e Francisco Mário, solicitados pelos colegas para encontrarem potenciais compradores.

Em Dezembro de 2015, Fernando Alberto da Silva entrou em contacto, por telefone, com Nataniel Rodrigues Mingas, a quem pediu que o encontrasse num estaleiro, na Via Expressa, junto ao Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola (ISIA), onde lhe ia ser apresentado os possíveis compradores do terreno.    
No estaleiro, aonde se deslocaram os quatro intermediários, foram apresentados a Nataniel Rodrigues Mingas os chineses Liu Honpeng, Chen Yunjian, Chen Songhuan e Ye Lingzheng, tendo o negócio sido acertado nesse dia.
No encontro, ficou acordado que o terreno, de dois hectares e 400 metros e localizado na Via Expressa, junto ao supermercado  Alimenta Angola, na zona do Zango Zero, seria vendido por metro quadrado, ao preço equivalente a 70 dólares, totalizando 120 milhões de kwanzas.
Os cidadãos chineses condicionaram a compra do terreno à apresentação, por Nataniel Rodrigues Mingas, dos documentos que comprovassem a titularidade do terreno, enquanto o suposto comprador exigiu um adiantamento do valor estabelecido no encontro, no qual os chineses concordaram em dar 30 por cento, mas desde que conhecessem o legítimo proprietário do terreno, o pai de Nataniel Rodrigues Mingas, que desconhecia a intenção do filho  de vender o espaço de que  é proprietário.

“Kota do Bisno” em acção 

Como pressentia a rejeição do pai, Nataniel Rodrigues Mingas insistiu na tentativa de vender o terreno e arquitectou um plano com o propósito de enganar os cidadãos chineses, para cuja execução contou, mais uma vez, com a intervenção da intermediária Sandra de Almeida, a quem foi dada a missão de encontrar alguém para se fazer passar por pai de Nataniel Rodrigues Mingas. Contactado por Sandra de Almeida, em casa desta, foi Pedro Bento da Costa, também conhecido por “Dito”, que, embora tivesse concordado em se fazer passar pelo pai de Nataniel Rodrigues Mingas, não entrou em acção, por indisponibilidade de tempo, mas encontrou uma solução, indicou João Augusto da Silva Sales Camunhôto, conhecido  por “Joi” ou por “Kota do Bisno”, tendo este sido apresentado a Nataniel Rodrigues Mingas.
A troco de valores monetários,  “Kota do Bisno” aceitou o trabalho, depois de lhe ter sido explicado o papel que ia desempenhar no contacto com os chineses, com quem se encontrou por duas vezes, fazendo-se passar por pai de Nataniel Rodrigues Mingas.
Para convencer os chineses, o plano precisava de ser reforçado. É assim que engendraram a cartada decisiva, para que os chineses desembolsassem os 30 por cento do valor acertado. 
Nataniel Mingas entregou uma cópia do Bilhete de Identidade do seu pai a “Kota do Bisno”, que, num dos encontros com os chineses, realizado junto à Universidade Lusíada de Angola, com o objectivo de fazer crer que era o verdadeiro pai, disse aos potenciais compradores: “Tratem de tudo com o meu filho porque estou ocupado”. “Vão lá com o meu filho tratar do depósito”, disse  “Kota do Bisno”, no momento em que entregava a Nataniel Rodrigues Mingas a cópia do Bilhete de Identidade de Norberto Rodrigues Mingas, convencendo assim os chineses de que era de facto seu pai.

Depósito do dinheiro

Seguindo o ditado segundo o qual contra factos não há argumentos, os cidadãos chineses depositaram 36 milhões de kwanzas na conta da empresa  Sonamingas, de que é proprietário Nataniel Rodrigues Mingas, tendo este repartido o valor pelos comparsas mediante transferência bancária.    
Sandra de Almeida foi encarregada de distribuir aos intermediários os seis milhões de kwanzas entregues por Nataniel Rodrigues Mingas, mas este começou a ser chantageado mais tarde por “Kota do Bisno”, que não concordou com o valor de 400 mil kwanzas que lhe chegou às mãos. “Eu sou a tua sombra”, dizia a Nataniel Rodrigues Mingas “Kota do Bisno”, que, quando lhe pedia mais dinheiro, dizia que, se não recebesse, contava tudo ao seu pai. 
Perante a chantagem, Nataniel Rodrigues Mingas entregou a  “Kota do Bisno” 14,6 milhões de kwanzas.  “Kota do Bisno” foi influente na decisão que levou ao assassinato dos cidadãos chineses, a partir do momento em que os estrangeiros começaram a pressionar no sentido de Nataniel Rodrigues Mingas os levar até ao terreno. 
Nataniel Rodrigues Mingas, que, no contacto com os chineses, argumentava não ter sido ainda concluído o prazo acordado para a entrega dos documentos e do espaço, conversou sobre o assunto com  “Kota do Bisno”, tendo este dito que a única solução  era “calar a boca dos chineses”.
Os quatro chineses foram assassinados por nove indivíduos, quatro dos quais militares, depois de terem sido atraídos por Nataniel Rodrigues Mingas, que estava acompanhado pelo seu motorista, o arguido Lucas Ovídeo Noé, para um local do bairro Zona Verde.
Depois de Nataniel Rodrigues Mingas ter abandonado o local, os contratados para assassinarem os chineses entraram em acção, tendo o arguido Severino Catchinjongo empunhado uma arma para intimidar os quatro chineses, enquanto os comparsas desferiam coronhadas na cabeça das vítimas de forma brutal e violenta, além de terem sido usados paus e ferros.
Nataniel Rodrigues Mingas regressou, volvido algum tempo, ao local do crime, e orientou os autores para colocarem os cadáveres dos chineses no tanque de água de um terreno vizinho. 
As vítimas, já dentro do tanque de água, evidenciavam ainda sinais de vida, clamando por socorro, tendo Nataniel Rodrigues Mingas solicitado a um dos algozes que fosse à busca de combustível a uma bomba de combustível  próxima, onde foram adquiridos 20 litros de gasolina, que foi despejada no tanque.
 O fogo ateado originou uma explosão que levou à morte dos chineses. Para não deixarem vestígios do acto criminoso, os homicidas recolheram os haveres pessoais dos chineses que foram depois queimados. A viatura em que os chineses se deslocaram ao local foi vendida pelos autores do assassinato na província de Benguela.

Tag: Chineses mortos em angola.

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