Partilha Nossa Página no Facebook SOCIOLOGIA CAPITALISTA: OS AMERICANOS E O ESTILO CAPITALISTA ~ Canal 82 | Agência de Notícias

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

SOCIOLOGIA CAPITALISTA: OS AMERICANOS E O ESTILO CAPITALISTA




AUGUSTO CAMPOS | LUANDA, 01 Outubro 2015:

A felicidade como parte dessa “ilusão”, não é um véu, mas sim um forma de constituir um sujeito dócil, adestrado, focado na reprodução inconsciente da ordem sócio-econômica. Então não há ilusão para ser provada, como que num movimento rápido e agressivo de mostrar a verdade. A verdade, então, é uma forma de movimentar o mesmo poder que a felicidade movimenta (não exatamente o mesmo, mas estratégias unificadas, afinal, viver pela felicidade parece ser a verdade da vida).


Segundo Peliano, a desigualdade é uma forma de manter o próprio sistema capitalista. Os excluídos “assim foram produzidos e colocados na tabela da desigualdade pelo sistema econômico capitalista. Este vive das diferenças de mercado, naturais ou por ele mesmo aproveitadas ou provocadas”. Ainda termina avisando que o capitalismo faz isso para sobreviver, para não entrar em crise, para não entrar em colapso.


Pode-se dizer que não é somente o capitalismo que produz distinções e desigualdades, já que as pessoas se organizam de maneira mais ou menos autônomas fora do controle do Estado, já que a própria cultura estabelece algumas categorias de virtuosidade e outras que não adquirem qualquer legitimação. Tudo gera distinção e algum tipo de desigualdade e todas as estruturas sociais são palcos de luta e de tentativa do dominante manter-se em sua posição, seja lá como for.

Rousseau, no Discurso Sobre a Origem da Desigualdade, revela que, provavelmente, a desigualdade que ele chama de moral começou quando, nas associações de humanos mais primitivas (termo dele), em volta das fogueiras, em horas de diversão, alguns começaram a dançar melhor que outros, alguns começaram a cantar melhor que outros, e a inveja tomou conta da alma humana. pode-se ler metaforicamente: qualquer distinção pode ser hierarquizada e colocada em um sistema de valores, onde alguns serão, nestes aspectos, privilegiados.


Isso significa que, se a desigualdade da maneira que vemos atualmente é a base do sistema atual, nada garante que qualquer outra tome forma e seja tão feroz quanto ela num próximo tipo de sociedade. Mas também significa que a ilusão sobre um sistema econômico rígido não é só uma ilusão, mas uma construção social. Essas pequenas desigualdades (e as grandes também) são inculcadas e normatizadas, de maneira que se mostram como a realidade. Como aquilo que não se duvida.

Não há, de certa forma, uma ilusão sobre a cabeça dos operário que se sentem bem trabalhando em uma empresa multinacional que lhes paga bem. Não se trata da ilusão do consumo que o salário possibilita, mas a construção de um sujeito que tem como pilar em sua vida, o consumo. Não é uma ilusão, não é um véu, então não há como “retirar” este véu. É necessário agir, portanto, sem contar com a “realidade”, com a “verdade”, mas tentar utilizar estratégias que consigam movimentar poder de maneira eficiente.

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AUGUSTO KENGUE CAMPOS

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