Nos últimos meses, dezenas de fotos da modelo Khoudia Diop, nascida no Senegal, começaram a viralizar nas redes sociais e em sites de notícia. Tudo isso porque ela, que é negra, possui um tom de pele único, o que lhe rendeu a alcunha de "deusa da melanina". Aliás, é este o nome que utiliza oficialmente no Instagram (melanin goddess, em inglês).
Khoudia Diop é considerada uma top model e já possui uma carreira bem consolidada, tendo desfilado por importantes grifes nas principais passarelas do mundo, incluindo Paris e Nova Iorque. No entanto, foi o projeto Colored Girls (garotas de cor, em tradução livre), do fotógrafo americano Joey Rosado, que rendeu mais sucesso à modelo senegalesa.
Segundo o artista, a ideia do ensaio era destacar os diferentes padrões de beleza das mulheres negras. Com isso, Khoudia Diop acabou posando ao lado de outras modelos, o que destacou ainda mais seu tom de pele, bem diferente das demais colegas de passarela.
Racismo?
Todo o sucesso da jovem "deusa da melanina" e a consequente "viralização" de suas fotos na internet e nas redes sociais podem ser uma forma de racismo, como explica a cientista política e especialista em gênero e igualdade, Áurea Carolina. "Chama a atenção o fato da beleza de Khoudia Diop ser considerada algo incomum, extraordinário. Acredito que se ela fosse branca, não existiria toda essa surpresa", comenta a especialista.
Recém eleita a vereadora mais votada em Belo Horizonte, nas eleições 2016, e com um amplo histórico de ativismo em busca da igualdade entre homens e mulheres, Áurea Carolina destaca, também, o lado bom do sucesso da modelo senegalesa. "Considero positivo que existam mulheres negras como Diop, que se tornam referência, inclusive, no universo da moda".
A futura vereadora reforça ainda que é preciso quebrar os "padrões de beleza" que nos são apresentados há anos. "É necessário questionar os critérios impostos pela sociedade, que classificam as mulheres como belas ou não", finaliza a ativista.